Segunda-feira dia vinte e quatro, Juvenal Juvêncio anunciava à todos que o São Paulo acabava de estabelecer uma nova parceria. O novo parceiro em questão, é uma badalada rede de academias chamada Cia Athletica, que instalará no anel inferior do Morumbi, mais precisamente atrás do gol do setor laranja, uma academia (!!!) com visão panorâmica para o gramado.A previsão inicial é que a academia fique pronta entre Fevereiro e Março do ano que vem. Além dos tradicionais equipamentos presentes em uma academia, a pista de atletismo em volta do gramado será reformada e poderá ser usada pelos alunos. Nos dias de jogos, o local se transformará em um camarote, com o valor dos ingressos sendo equivalente ao valor das cadeiras cativas do estádio, sendo que a Cia Athletica terá direito a um determinado número de entradas, podendo distribuí-los à quem ela quiser, seja ele são paulino ou não, amante do futebol ou não.
Segundo palavras de Juvenal Juvêncio, irradiante no dia do anúncio da parceria: " A academia é uma coisa moderna para o estádio, algo higiênico, inovador, um plus nas arenas nossas que são arcaicas e obsoletas." Mais adiante o mesmo finaliza e sentencia: " Acabou esse conceito de que estádio é apenas um local para receber jogos nos fins de semana."
Confesso que não consigo compartilhar do mesmo pensamento de nosso presidente. Entendo perfeitamente que o clube necessita buscar todo um equilíbrio financeiro, todavia o método que o São Paulo adota nessa busca é elitista, reacionário e higienista; que além de desfigurar ainda mais nosso sagrado estádio, trará prejuízos irremediáveis ao torcedor e a tudo que o futebol representa na cultura popular brasileira, talvez nem hoje nem amanhã, mas em médio e longo prazo, em especial pela perda de identidade com a massa.
Não será esse público mais qualificado e abastado financeiramente, que o São Paulo tanto privilegia e se esforça em ter frequentando o Morumbi, que proporcionará ao clube um fôlego financeiro maior e mais saudável. Essas pessoas não hesitarão em abandonar o clube num momento de crise ou dificuldade maior, pois seu envolvimento e sua relação com o futebol não é uma relação de amor, mas sim uma relação descartável baseada em preceitos comerciais, onde os mesmos estão mais interessados em comer, beber, confraternizar, e agora malhar, do que com o que se passa dentro de campo.