segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bom jogo em Campinas

Estamos todos de acordo que a fórmula de disputa do Campeonato Paulista não faz o menor sentido. A modorrenta primeira fase, composta de intermináveis dezenove rodadas é um verdadeiro calvário para o torcedor, as únicas partidas que de fato importam alguma coisa são os clássicos contra porco e gamba e o jogo contra o Santos, todo o resto não passa de confrontos desinteressantes contra agremiações que hoje mal conseguem sobreviver.
Sábado por exemplo, o que mais me motivou além do amor pelo São Paulo a enfrentar uma rodovia engarrafada por causa do feriado de Carnaval e repleta de pedágios caros, rumando para o Brinco de Ouro foi poder me reencontrar com um estádio que nos traz ótimas lembranças e que não visitava desde 2010, quando enfrentamos o Guarani em partida válida pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro daquele ano.
Convenhamos, um embate entre o time reserva do São Paulo contra um enfraquecido Guarani, que hoje agoniza na terceira divisão do futebol brasileiro não empolga quase ninguém. O reflexo disso pôde ser percebido nas arquibancadas do estádio bugrino, apenas 4700 pagantes se aventuraram em acompanhar uma partida que tinha tudo para ser uma verdadeira pelada completamente esquecível.
Felizmente o ato de coragem dos torcedores das duas equipes foi devidamente recompensado, e todos nós pudemos presenciar uma partida no mínimo interessante. Sim, pois embora tecnicamente o jogo não tenha sido um primor ele foi movimentado o suficiente para se transformar em algo agradável de ser visto. Mesmo que os torcedores do Guarani discordem, uma vez que eles estão tristes com a derrota em casa por 2x1 e com o gol de falta de Rogério, tivemos um bom jogo em Campinas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Amor em jogo

Não sei, mas acredito que se eu estivesse envolvido em um relacionamento sério, fatalmente eu enfrentaria alguns problemas para estar presente no Morumbi ontem a noite. Como fazer uma pessoa, provavelmente com pouco ou nenhum envolvimento afetivo com o futebol, entender e aceitar que um jogo de Campeonato Paulista, disputado às 22:00 horas em uma quarta-feira chuvosa é mais importante e interessante do que por exemplo, uma sessão de cinema, um jantar não sei onde ou uma visita a casa de um amigo ou parente?
É complicado, e a verdade é que eu não saberia como proceder diante de uma situação como esta, acho que eu sequer me preocuparia em tentar fazer alguma coisa a respeito. Meu egoísmo e minha irresponsabilidade talvez me levassem a agir da maneira como eu sempre fiz, ignorando tudo e indo para o jogo sem me preocupar com nada ou ninguém. Contudo, comportar-se desta forma não seria uma atitude muito inteligente, as consequências possivelmente não seriam nada agradáveis.
O que eu sei, é que um jogo como o que São Paulo e Ponte Preta disputaram ontem tornaria as coisas ainda mais difíceis. Imagine ela perguntando como foi o jogo e você sendo obrigado a responder que a partida foi uma merda, que o São Paulo não jogou porra nenhuma, que não conseguimos fazer o gol da vitória e que o estádio estava vazio. Mentir seria a melhor saída, do contrário todas as coisas negativas que eu dissesse sobre o jogo seriam guardadas e usadas contra mim na próxima vez que fosse necessário discutir a relação futebol/amor.
Nick Hornby no essencial Febre de Bola ilustra bem essa situação: " Se disséssemos a verdade todas as vezes, seríamos incapazes de manter um relacionamento com qualquer pessoa do mundo real. Apodreceríamos sozinhos com nossos programas do Arsenal, nossas coleções de discos de rótulo azul originais da Stax ou nosso spaniels do Rei Charles,  enquanto nossos devaneios de dois minutos se alongavam; aí perderíamos nossos empregos e pararíamos de tomar banho, fazer a barba e comer; acabaríamos deitados no chão em meio à nossa própria imundice, voltando a fita sem parar na tentativa de decorar todos os comentários, inclusive a análise profissional de David Pleat, sobre a noite de 26 maio de 1989."
O futebol será sempre a relação de amor mais intensa, pura, verdadeira, obsessiva e doentia que um torcedor de verdade terá em sua vida. Mais uma vez citando Hornby: "Por que razão esse relacionamento, que começou como uma mera gamação colegial, já dura quase um quarto de século, mais do que todos os relacionamentos que travei por vontade própria? E por que essa afinidade consegue sobreviver aos meus periódicos sentimentos de indiferença, tristeza e ódio bastante reais?" Admito que essa não é uma pergunta nada fácil de ser respondida, sobretudo se a resposta tiver que ser dada para uma pessoa que por mais que você ame, está em desvantagem afetiva.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Novamente impedido de ir ao jogo

Republico abaixo parte da postagem feita neste blog ano passado, após o último São Paulo e Santos disputado na Vila Belmiro. A palhaçada promovida pela diretoria do São Paulo, na questão referente aos ingressos para a nossa torcida continua igual, e ao que tudo indica permanecerá assim por muito tempo.

" Ontem o São Paulo jogou a menos de 100 km da capital paulista, minha obrigação como torcedor era me encaminhar até Santos e apoiar meu time no estádio, contudo me impediram de fazer isso. Por culpa da diretoria do São Paulo não pude ir até a Vila Belmiro, fui forçado a ficar em casa e acompanhar o jogo sentado no sofá.
Ao não comercializar os ingressos disponíveis à nossa torcida para o clássico contra o Santos nas bilheterias, optando por distribuir TODOS eles entre as torcidas organizadas a diretoria são paulina me tirou o direito de ir no jogo. Eu que sou sócio e sempre vou aos estádios não tive sequer a chance de TENTAR comprar um ingresso.
Uma filha da putice e um desserviço sem tamanho de nossos dirigentes, pois além deles ignorarem e excluirem uma parcela gigantesca da nossa torcida, eles oficializam e incentivam a prática do cambismo. Como nossas organizadas de merda não conseguem "consumir" todos os ingressos que recebem eles acabam sendo comercializados paralelamente por até o dobro do preço oficial.
Completamente desapontado e frustrado com a atitude daqueles que desde de 2008 me tiram do jogo da Baixada Santista, vi pela televisão..."

Ano passado do sofá da minha casa acompanhei pela televisão um 0x0 horroroso, ontem do sofá da casa da minha irmã vi novamente pela televisão uma merecida derrota por 3x1. Sim, tivemos um gol legítimo anulado quando o placar marcava 1x0 para a equipe santista, entretanto não foi este o erro que determinou nossa primeira derrota no Campeonato Paulista.
Perdemos porque embora tenhamos feito um primeiro tempo de igual para igual, articulando boas jogadas, as finalizações feitas por nossos jogadores foram todas sem direção e/ou muito fracas. Perdemos porque nosso sistema defensivo não funcionou, permitindo num momento crucial da partida que um atacante adversário fizesse um gol de cabeça sem a necessidade de sequer tirar os pés do chão.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Objetivo alcançado

Após o 5x0 no jogo de ida no Morumbi fomos para a Bolívia com a classificação para a fase de grupos da Libertadores já assegurada, as chances do Bolivar mesmo jogando na altitude de La Paz inexistiam. O jogo de volta portanto, era uma mera formalidade, pois todos já sabiam antecipadamente qual time seguiria na competição e qual time seria eliminado.
Como este segundo jogo seria realizado numa cidade que está uma caralhada de metros acima do nível do mar, onde os times visitantes costumam sofrer com os efeitos da altitude, criou-se um falatório de que talvez os bolivianos pudessem mediante um milagre eliminar o São Paulo. Uma bobagem que com dois minutos de jogo o São Paulo tratou logo de mostrar que não fazia o menor sentido.
Não tomamos conhecimento do nosso adversário e da altitude no primeiro tempo, como se estivéssemos fazendo um jogo treino no CT da Barra Funda (tamanha a facilidade com que criávamos e articulávamos as jogadas), abrimos 3x0 no placar. Sobrava fôlego e futebol para o São Paulo, que foi para o intervalo com um placar agregado de 8x1!
No segundo tempo levamos quatro gols e sofremos a virada, 4x3 Bolivar placar final. Em nenhuma circunstância é legal perder um jogo depois de abrir três gols de vantagem, entretanto devemos relativizar e levar em consideração algumas questões na análise desse resultado em específico. É notório que nos quarenta e cinco minutos finais o São Paulo relaxou e cansou devido a enorme vantagem e a altitude respectivamente, o que nos custou a vitória, mas nem de longe a classificação.
Em nenhum momento nossa vaga esteve ameaçada, durante todos os cento e oitenta minutos do confronto ela sempre esteve do nosso lado. Entendo e admiro a insatisfação do Rogério com o resultado e o futebol apresentado no segundo tempo, acho necessário e válido ele pensar desta forma, cobrando do elenco uma postura mais inteligente em partidas desta natureza, a fim de que evitar que isso se repita novamente com consequências mais graves.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Inseparável

Final de semana prolongado, segunda rodada do campeonato estadual, time reserva em campo, adversário risível e tempo chuvoso. Usarei as palavras de Nick Hornby presentes em seu excelente livro Febre de Bola, para tentar entender o que motivou eu e os outros 6965 torcedores a estarmos presentes sábado a tarde no Morumbi.

Página 17: "... o que diferencia aqueles que se satisfazem com meia dúzia de jogos por ano- assistindo às grandes partidas e se afastando das peladas, numa postura certamente sensata- daqueles que se sentem obrigados a comparecer a todos? Para que viajar de Londres a Plymouth numa quarta-feira, sacrificando um feriado precioso, para ver um jogo cujo resultado já foi efetivamente decidido na primeira partida em Highbury? E se esta teoria do ato de torcer estiver perto da verdade, que inferno estará enterrado no subconsciente das pessoas que vão aos jogos da Taça Leyland DAF ?."

Página 135: " Vou ao futebol por um monte de razões, mas não para me divertir, e quando olho em torno num sábado e vejo aqueles rostos tristes e apavorados, vejo que outros sentem a mesma coisa."

Página 163: " Eu pertencia à outra categoria: aqueles que estavam lá porque sempre estavam lá."

Página 191: " Meus amigos que não curtem futebol e meus familiares nunca conheceram alguém mais louco do que eu; na realidade, estão convencidos de que sou tão obcecado quanto é possível ser. Mas sei que existem pessoas que considerariam o nível do meu comprometimento- todos os jogos em casa, um punhado de jogos de fora, e um ou dois jogos dos reservas e dos juvenis por temporada - insuficiente."

Página 214: " O que imagino que aconteceria comigo se eu não fosse a Highbury certa noite e perdesse um jogo que talvez fosse crucial no resultado final da disputa do campeonato, mas que dificilmente prometeria um espetáculo imperdível? A resposta, acho eu, é esta: tenho medo de no jogo seguinte, o que vier depois do que eu perder, não conseguir entender alguma coisa que esteja acontecendo, como um refrão qualquer ou a antipatia do público para com um dos jogadores; pois assim o lugar que eu mais conheço no mundo, o único local fora da minha própria casa onde sinto que me encaixo absoluta e inquestionavelmente, terá se tornado alienígena para mim."

Página 197: " O futebol significa coisa demais para mim, veio a representar coisas demais, e sinto que já assisti a jogos demais, gastei dinheiro demais, fiquei preocupado com o Arsenal quando devia estar me preocupando com outras coisas e abusei da indulgência de amigos e familiares. Ainda assim, há ocasiões em que ir assistir  a uma partida é a ocupação mais válida e prazerosa que consigo imaginar."

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Classificação iminente

Ao mesmo tempo em que janeiro é um mês especial, uma vez que ele marca o retorno do futebol em nossas vidas, ele também é o mês mais desinteressante para os torcedores. Normalmente em janeiro temos apenas aqueles jogos chatos dos entediantes campeonatos estaduais, as grandes partidas como os clássicos e os embates decisivos da Libertadores e da Copa do Brasil são disputados apenas nos meses subsequentes. O primeiro mês do ano portanto, é marcado muito mais por aquilo que se passa na arquibancada do que no gramado.
Terminar o Campeonato Brasileiro do ano passado na quarta posição, tendo assim que disputar a pré Libertadores, transformou janeiro que é um mês caracteristicamente morno em um mês de máxima importância. Deparar-se logo no segundo jogo da temporada, com um confronto de mata-mata no torneio mais importante do continente, valendo uma vaga para a fase de grupos da Libertadores, acabou fazendo um bem danado para o São Paulo e sua torcida.
Time completo, campeonato importante, jogo decisivo e estádio cheio. Todos os ingredientes necessários para fazer do jogo contra o Bolivar algo grandioso estavam presentes ontem a noite no Morumbi. Bastava ao São Paulo confirmar dentro de campo toda a sua superioridade tática e técnica, construindo uma boa vantagem para o jogo de volta para que aquela quarta-feira fosse de fato marcante.
Com poucos minutos de bola rolando deu para perceber que longe dos 3660 metros de altitude da cidade da La Paz, a equipe do Bolivar não é rigorosamente nada, contudo era necessário marcar o maior número possível de gols, pois no alto da montanha os caras são perigosos. Aos sete minutos quando abrimos o placar qualquer resquício de tensão que rondava o Cícero Pompeu de Toledo se dissipou, uma goleada parecia apenas uma questão de tempo.
Após o primeiro gol nossa defesa chegou a cometer alguns vacilos, mas Rogério, o aniversariante da semana fechou o gol e mostrou que mesmo quarentão ainda tem muita lenha pra queimar. A vantagem no placar e a segurança transmitida pelo mítico camisa um deixou a equipe ainda mais confiante, fazendo o São Paulo se impor de verdade dentro de campo. Nos lançamos de vez ao ataque e construímos uma ótima vantagem de cinco gols, algo que ar rarefeito nenhum será capaz de reverter.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Começou

As férias de fim de ano acabam, as cobranças de IPVA e IPTU chegam, as aulas recomeçam e o trabalho volta a nos trazer uma série de aborrecimentos e problemas. Contudo, a sensação de que o ano de fato começou e de que tudo voltou a normalidade acontece de verdade quando a bola começa rolar.
Enquanto a temporada de futebol não inicia-se, enquanto não posso acompanhar o São Paulo nos estádio Brasil afora e enquanto não ponho fim aquele enorme vazio causado pela ausência do futebol, o novo ano parece não ter muita razão para existir. Foi quando o árbito inicou a partida que 2013 passou a ter algum sentido para mim.
A verdade é que no sábado ao me preparar para o jogo, durante o trajeto de casa até o estádio e no Morumbi do lado de fora com os amigos, já era possível sentir aquela atmosfera única e incomparável proporcionada pelo futebol. Faltava apenas que tudo aquilo se materializasse, o que aconteceu mediante o pontapé inicial.
Do jogo eu sinceramente não esperava absolutamente nada. Primeira partida da temporada não serve para muita coisa, difícil esperar que um time desentrosado e sem ritmo pudesse fazer uma apresentação além de regular. Estava mais interessado e ansioso com o retorno à arquibancada do que com o desempenho do São Paulo ao longo dos noventa minutos.
Foi um típico jogo de início de temporada, jogamos o suficiente para vencer um desses pobres coitados do interior paulista. Como a preocupação maior era o reencontro com o futebol, com o Morumbi, com os amigos e com o São Paulo, digo que a tarde/noite de sábado não poderia ter sido melhor.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Considerações sobre o novo Sócio Torcedor

Sábado o São Paulo divulgou os novos planos do programa Sócio Torcedor, que irão substituir os planos anteriormente existentes. A grosso modo, já que muitas informações não são claras e conclusivas teremos agora o Plano Standard (R$ 30,00 mês e mínimo de 20% de desconto na compra de ingresso) e o Plano Premium (R$ 100,00 mês e mínimo de 30% de desconto na compra de ingresso).
Na visão do São Paulo conforme descrito no site oficial do clube, os grandes atrativos destes novos planos são: " (I) A preferência do Sócio Torcedor para a compra de ingresso e (II) os descontos junto aos novos parceiros comerciais do São Paulo."
Sempre tive algumas restrições em relação ao Sócio Torcedor, não que eu quisesse que o São Paulo me oferecesse mais brindes, prêmios, que realizasse mais promoções ou coisas do tipo, nada disso. Minha crítica sempre partiu da minha insatisfação em relação aquilo que mais importa para um torcedor que anseia em acompanhar seu time no estádio, a compra de ingressos.
Embora os descontos nos ingressos tenham diminuído e o brinde da camiseta cortado, não são estes os fatores que me fazem encarar este novo programa de Sócio Torcedor como uma grande merda. É ler que o São Paulo interpreta a compra de ingressos através de um site tosco; e descontos em supermercados e outros estabelecimentos como uma grande vantagem, que me deixa indignado.
Torcedor não está interessado em obter descontos na compra de linguiça, maionese, sabão em pó e shampoo. Torcedor quer ingresso, torcedor quer um sistema de carnê ou algo semelhante que garanta seu lugar no estádio ao longo de toda a temporada, pagando por isso e assim garantindo e antecipando receita ao clube.
Aqueles que estão dispostos a acompanhar o São Paulo independente da situação que ele se encontra, deveriam ter facilidades e garantias no momento da aquisição do ingresso. A preferência de compra garantida ao Sócio Torcedor não chega a ser algo tão vantajoso assim, uma vez que a comercialização dos ingressos é feita por uma empresa que possui um canal de vendas repleto de falhas e defeitos, que traz uma série de problemas e aborrecimentos aos torcedores.
O modelo de Sócio Torcedor que passou a vigorar representa um grande retrocesso. A preocupação maior do São Paulo deveria ser o estabelecimento de uma parceria com seu torcedor, fidelizando-o e o tratando com respeito, e não com empresas que a qualquer momento podem deixar o clube, partindo para um adversário por exemplo
Convenhamos, não era tão difícil assim fazer um programa que atendesse as necessidades do torcedor. O caminho a ser seguido era simples, não sendo necessário muito tempo, dinheiro e conhecimentos apurados em marketing. Nada de descontos em produtos da cesta básica e brindes idiotas, bastava a volta da comercialização de pacotes de ingressos para toda a temporada como ocorreu em 2010 e 2011, bastava valorizar e respeitar aqueles que nunca abandonam o São Paulo.