quinta-feira, 6 de junho de 2013

Juvenal Juvêncio

"Layden ainda ergueu a tribuna de cimento do antigo estádio de madeira- que ganhou o nome de Arquitecto Ricardo Etcheverry, seu vice e responsável pelo projeto do novo setor-, um ginásio poliesportivo para 8 mil pessoas abaixo desta platéia e todo o sistema de iluminação do complexo. Fez isso tudo, mas não soube a hora de deixar o cargo. Nas palavras do torcedor e sócio Arturo, 68 anos a explicação: Ele foi um um ser humano notável, extraordinário. Mas ficou tempo demais à frente do clube e, quando isso acontece, tudo se contamina e você se afasta da realidade."

Trecho do texto Grandeza perdida em Caballito , de Rodrigo Barneschi que fala sobre Santiago Layden, presidente do Ferro Carril Oeste que durante o período que esteve a frente do clube do bairro de Caballito adotou práticas e métodos semelhantes aos hoje utilizados por Juvenal Juvêncio no São Paulo.
Guardadas as devidas proporções, creio que o paralelo é válido e pensar a respeito é necessário, principalmente depois de tudo o que presenciamos ontem a noite no gramado do Morumbi.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acerca de mais uma rodada

Enfrentar o Atlético Mineiro no Independência não é nada fácil, desde que o estádio foi reinaugurado em 2012 a equipe mineira defende ali uma respeitável invencibilidade de 35 jogos. O São Paulo sabe muito bem a dureza que é ser visitante naquele lugar, tanto é que este ano nas duas oportunidades que jogamos lá voltamos para casa com duas derrotas, sendo que a última delas resultou em uma sumária e dolorosa eliminação.
Dado todo o poderio atleticano jogando em seus domínios, um empate ontem por si só já seria classificado como um bom resultado. Levando em consideração que o empate sem gols conquistado em Belo Horizonte significou a manutenção da liderança, devemos encará-lo como um ótimo resultado, inclusive pelo fato do time estar bastante desfalcado e os respectivos substitutos serem quase todos uns verdadeiros incapacitados.
No final das contas além do resultado ter agradado tanto atleticanos quanto são-paulinos, que não perderam posições na tabela ao término da rodada, ele também acabou sendo um resultado justo. Embora as duas equipes tenham alternado bons e maus momentos ao longo de toda a partida, com alvinegros e tricolores criando e oferecendo chances basicamente na mesma proporção, nenhum deles chegou a estabelecer um domínio contundente sobre o adversário.
A liderança é importante e de certo modo até impressiona, uma vez que o elenco passa por uma considerável reformulação, com jogadores sendo dispensados e contratados/reintegrados de uma maneira bastante esquisita. Entretanto a primeira posição na tabela não significa rigorosamente nada, especialmente em uma competição extensa como é o Campeonato Brasileiro, com longas trinta e oito rodadas e que começou a apenas três.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Morumbi, 24 dias depois

Saber que depois de tanto tempo (24 dias para ser mais exato), ao final de um longo e exaustivo dia de trabalho eu novamente me encaminharia rumo a zona sul paulistana, a fim de acompanhar uma partida do São Paulo no Morumbi era algo animador e reconfortante, fazendo com que todas as adversidades enfrentadas para chegar até o estádio (trânsito caótico e horário indecente) fossem ignoradas. Bastava eu adentrar a Rua João Jorge Saad e conseguir avistar o Morumbi, para ter a certeza que eu seria devidamente recompensado pela minha escolha.
Quando falo em recompensa me refiro a oportunidade de após uma longa e incômoda espera, poder rever os amigos e junto com eles fazer parte de mais um capítulo da nossa grandiosa história escrita no Cícero Pompeu de Toledo. Para um torcedor de verdade, que realmente se importa e ama seu time de coração, nada é mais importante e sagrado do que estar ao lado dele no estádio empurrando-o para a vitória. Por mais que o futebol possa mudar através do tempo, a experiência de passar noventa minutos em pé numa arquibancada nunca será superada.
Ontem fomos pouquíssimos no Morumbi, mas confesso que em algumas ocasiões até prefiro assim. Concordo que é uma vergonha apenas oito mil torcedores se disporem a acompanhar o São Paulo, contudo sei que ontem eu estava cercado de torcedores que de fato se importam com o São Paulo. Os mesmos de sempre, que vão aos jogos independente dos onze que são escalados, do campeonato, da posição na tabela, do adversário, do clima e de tantas outras questões supérfluas que só afastam dos estádios aqueles que mantêm uma relação fria e superficial para com quem dizem torcer.
Os felizardos que ontem estiveram presentes no Morumbi presenciaram uma partida com dois tempos totalmente distintos, uma primeira etapa sem graça e de futebol mal jogado e uma segunda etapa interessante e repleta de gols. A goleada pelo placar de 5x1 sobre o Vasco acabou surpreendendo a todos, visto que ela foi estabelecida mesmo com o São Paulo fazendo uma partida apenas razoável. A vitória e os três pontos eram importantes, entretanto o que mais importava ontem era finalmente podermos nos reencontrar com nosso time e o nosso estádio.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aquilo que perturba e incomoda

Da eliminação para o Atlético Mineiro na Libertadores, até a estreia no Campeonato Brasileiro ontem contra a Ponte Preta em Campinas foram dezoito dias sem futebol. Até pensei em escrever alguma coisa neste longo intervalo de tempo, contudo optei pelo silêncio, algo que dado o momento era muito mais valioso e significativo do que qualquer coisa que eu viesse a escrever, principalmente porque o cenário pelos lados do Morumbi não era nada animador e porque já tinha muito imbecil escrevendo e fazendo um monte de merda por aí.
Durante essas quase três semanas que o São Paulo ficou sem entrar em campo, motivos para se sentir perturbado e incomodado não faltaram. Nosso presidente golpista reintegrou ao grupo um ex-jogador, um sujeito hipócrita e dissimulado (não é a toa que hoje ele está na política) lançou sua candidatura à presidência do São Paulo, o camisa nove que não aceita nenhum tipo de questionamento fez biquinho e ficou triste ao ser criticado, pseudo torcedores ameaçaram cancelar seus planos de sócio-torcedor caso o mimado centroavante fosse negociado, a CBF me fez perder pela segunda vez mais duas passagens aéreas ao mudar a data do jogo contra o Grêmio em Porto Alegre pela terceira vez e a PM me proibiu de estar ao lado do meu time no Moisés Lucarelli.
Não é nada fácil ter que lidar com uma frequência cada vez maior, com situações absurdas e inadmissíveis semelhantes as descritas no parágrafo acima. Ver algo que proporciona um enorme sentido para a minha vida e que eu vivencio de maneira intensa sendo maltratado e destruído por dirigentes inescrupulosos, jogadores oportunistas e torcedores parasitas me causa um tremendo desgosto, fazendo muitas vezes com que eu me sinta um verdadeiro idiota por amar tanto esse esporte. O rumo que o futebol hoje está seguindo não é mais compatível com torcedores que insistem em ter com ele apenas uma relação de amor.
Pensei que o início da disputa de um novo campeonato amenizaria um pouco toda essa minha indignação, contudo a impossibilidade de acompanhar a partida no estádio, dada a descabida proibição imposta à torcida são paulina de maneira unilateral pela PM potencializou toda a minha amargura. Eu até que gostaria de poder falar sobre o jogo, sobre a nossa vitória pelo placar de 2x0, sobre nossas perspectivas para o campeonato e tudo mais, entretanto é extremamente difícil se concentrar nas coisas que acontecem dentro de campo quando fora dele tudo está ruindo em um ritmo assustadoramente rápido.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sem palavras

A verdade é que não é necessário escrever absolutamente nada sobre o que aconteceu ontem a noite no estádio Independência, a inapelável goleada imposta pelo Atlético Mineiro pelo placar de 4x1 que nos eliminou da Libertadores por si só já é auto-explicativa.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pensamentos fragmentados

Tentei escrever algo coeso e pormenorizado a respeito dos acontecimentos da semifinal disputada ontem a tarde no Morumbi entre São Paulo e Corinthians, todavia não consegui. A mistura dos sentimentos/sensações de revolta com a arbitragem, estresse e esgotamento com as cobranças de pênalti e dor e frustração com a eliminação ainda ecoam dentro de mim, assim não consigo escrever nada além de alguns fragmentos em forma de desabafo.

- Não tenho o hábito de reclamar da arbitragem, juízes e bandeirinhas costumam errar para os dois lados praticamente na mesma proporção, entretanto ontem as decisões do trio de arbitragem foram descaradamente tendenciosas a favor do Corinthians. Não questiono a anulação do pênalti que Rogério defendeu, é inegável que o mito se adiantou, o que eu contesto é a falta de critério da arbitragem ao não punir com o mesmo rigor o goleiro adversário, que confessou também se adiantar no momento das cobranças e uso de dois pesos e duas medidas na questão das faltas e cartões amarelos aplicados ao longo da partida.
- As duas contratações mais caras do elenco perderam pênalti, nada mais sintomático uma vez que falamos de dois jogadores que deixam muito a desejar. O camisa oito mostrou ao longo do campeonato que não passa de um pseudo craque, um jogador que está muito longe de valer tudo aquilo que nele foi investido; já o camisa nove é um desequilibrado mental, um jogador que nos deixa na mão com uma frequência inaceitável, ora porque ele está ausente devido suas imbecilidades, ora porque nos momentos decisivos ele só é notado pelas merdas que faz em campo.
- Não considero o time do São Paulo ruim e gosto do trabalho realizado por Ney Franco, o que compromete (além das cagadas individuais de alguns jogadores) é a enorme carência de jogadores de qualidade em algumas posições. Contamos com apenas um zagueiro confiável, a lateral esquerda é divida por dois enganadores e a lateral direita virou um eterno espaço para improvisações, uma mais tosca que a outra, diga-se. É este desequilíbrio presente no elenco ao longo dos últimos anos que tem nos custado algumas derrotas e eliminações doloridas.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Do céu ao inferno em um lance

O relógio marcava trinta e cinco minutos do primeiro tempo. Até então o São Paulo fazia uma partida que beirava a perfeição, nosso controle era absoluto dentro de campo, dominávamos o Atlético Mineiro de maneira contundente, não dávamos espaço para nenhum jogador vestido de preto e branco articular qualquer tipo de jogada, nossa superioridade era tamanha que uma goleada (que deixaria nossa classificação muito bem encaminhada) começava a se esboçar.
O cenário era totalmente favorável ao São Paulo; estádio lotado, 1x0 no placar, torcida pulsando e time jogando muita bola. Nem mesmo após as inúmeras oportunidades de gol perdidas de maneira bisonha pelo terceiro reserva do ataque abalou o ânimo e o ímpeto do tricolor, continuamos indo para cima de um adversário acuado e impotente. Foi então que um lance mudou completamente o rumo da partida, levando o São Paulo que flertava de perto com o céu diretamente para as profundezas de um inferno agonizante.
Toda a expectativa que circundava o Morumbi desapareceu quando no trigésimo quinto minuto de bola rolando, o filho da puta que hoje veste nossa camisa número três tomou o segundo cartão amarelo e foi expulso. O São Paulo sentiu demais o golpe, com um jogador a menos todo o esquema montado por Ney Franco e que até então funcionava muito bem foi literalmente destruído. Em desvantagem numérica não demorou muito tempo para o São Paulo perder o controle da partida e ceder o empate, o que aconteceu quando o primeiro tempo chegava ao fim.
Na segunda etapa o São Paulo até que tentou equilibrar as ações, contudo o estrago já estava feito. A cada minuto que passava, a cada jogada não concluída pelos jogadores são-paulinos os danos causados pela imbecilidade daquele desgraçado que já não estava mais em campo se mostravam cada vez mais profundos e irreparáveis. O São Paulo estava entregue, e o gol da virada foi o tiro de misericórdia que pode ter nos custado a classificação.
Fazia tempo que eu não saia do Morumbi tão perturbado com uma derrota. A sensação não é de revolta ou dor, na verdade sinto uma mistura de frustração com inconformidade, que desde ontem a noite tem causado uma tremenda bagunça na minha cabeça. Por mais que eu possa escrever sobre o jogo eu não consigo raciocinar direito a respeito dele. Tentar esquecer então é algo fora de cogitação, principalmente porque a todo instante eu me pego pensando na viagem para Belo Horizonte semana que vem.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Muito sobre a camisa e um pouco sobre a classificação

A existência de uma cláusula no estatuto do São Paulo, que proíbe o uso de um terceiro uniforme sempre foi para mim algo digno de comemoração. Enquanto nossos rivais se descaracterizavam vestindo uniformes roxo, cinza, vinho, azul e amarelo fluorescente, o São Paulo felizmente se recusava a adotar tal prática. Muitos enxergam e classificam essa postura como errada, atrasada e conservadora demais, eu vejo nisso um enorme e admirável respeito as nossas tradições.
É verdade que ao longo dos nossos setenta e oito anos de história, em algumas ocasiões chegamos a usar outros uniformes que não o nosso tradicional fardamento tricolor, contudo todas elas foram exceções bem pontuais ou obras meio que do acaso (como nas vezes que por falta de uniforme reserva usamos camisas emprestadas por outras agremiações). Nada do que aconteceu no passado pode ser comparado ao que presenciamos ontem no Morumbi.
Hoje o contexto é completamente diferente, décadas atrás o marketing estava muitíssimo longe de contaminar o futebol com seus conceitos e práticas predatórias, besteiras como terceiro uniforme não fazia parte do vocabulário do futebol. Bons tempos aqueles que não tínhamos que lidar com torcedores/consumidores deslumbrados, que anseiam por novidades e que não se importam em ver nossa sagrada camisa ser completamente desfigurada.
Ao entrar em campo para enfrentar a Penapolense vestindo um uniforme todo vermelho (camisa, calção e meias), diferente do que afirmam os profissionais do departamento de marketing são paulino, não participamos de um evento histórico, único e especial, mas sim de um momento esquecível dentro da história do São Paulo. Ignoramos o estatuto e a história para que pudéssemos usar um terceiro uniforme (aquilo não era uma camisa comemorativa como a tricolor celeste que nunca chegou a ser usada em um jogo oficial) pavoroso, portanto não vejo motivos para querer guardar isso na memória.
Após o estranhamento e a vergonha com o uniforme diminuir, pude dar a devida atenção ao jogo. Não esperava que a classificação fosse tão suada e sofrida, tivemos muita dificuldade para conseguir fazer o gol da vitória (na verdade a Penapolense fez para a gente), por muito pouco tudo não foi resolvido através das sempre tensas cobranças de pênalti.  Quando o árbitro encerrou a partida o alívio e a comemoração foi intensa, tanto pela classificação que estava assegurada quanto pelo desaparecimento de campo daquele ofensivo uniforme vermelho.