quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um breve diagnóstico

Parecia impossível, mas conseguimos. Pela primeira vez em nossos setenta e oito anos de história, atingimos a vergonhosa marca de quatro derrotas seguidas no Morumbi. Essa inédita sequência de resultados negativos que ao mesmo tempo impressiona e preocupa, não é apenas uma obra do acaso, pelo contrário. Somos hoje um time despedaçado e que acumula uma série de insucessos, devido principalmente a política de abandono estabelecida por nossos dirigentes, onde o descaso prevalece, tanto dentro quanto fora de campo.
O ápice dessa política norteada pela omissão e pela inexistência de um planejamento sério, que nos colocou em um buraco que insistimos em continuar cavando, tornando-se jogo após jogo cada vez mais profundo, teve na noite de ontem um de seus episódios mais lamentáveis e escrotos. A fuga do dirigente playboy pelas portas dos fundos do vestiário do time reserva é sintomática e, ilustra muito bem o grau de comprometimento daqueles que deveriam estar no comando dando a cara para bater, mas que não assumem suas devidas responsabilidades e obrigações.
Não é de hoje que o comportamento de Juvenal e sua turma, diante de questões que exigem uma postura digna e um envolvimento total é completamente inadequado. Percebe-se que a falta de comprometimento sempre existiu, a questão é que agora ela atingiu níveis alarmantes e contaminou todo o ambiente. Temos hoje no elenco, na comissão técnica e na diretoria um bando de vagabundos descompromissados que fingem trabalhar, criando assim uma infinidade de problemas ao invés de tentar resolvê-los.
Extirpar do Morumbi essa corja de parasitas que colocou o São Paulo nessa situação lamentável, seria obrigatoriamente o primeiro passo a ser dado em direção ao reestabelecimento da ordem no gramado e nos bastidores, porém aquele que deveria ser o primeiro a sair infelizmente é quem comanda o processo de renovação. Portanto, por enquanto não devemos esperar nada além de dispensas e demissões sem muito sentido, de discursos vazios e de uma politicagem suja que maquila os problemas e não leva a lugar nenhum.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Nada a declarar

Tão desgastante quanto as inúmeras dificuldades que tenho de enfrentar nestes tempos de futebol moderno para acompanhar meu time no estádio, como horários indecentes, ingressos caros e dezenas de proibições, é essa obrigação que sinto de escrever algo sobre o que vejo dentro das quatro linhas. Como o que tenho visto ultimamente é digno de provocar náuseas, dado que nossos malditos dirigentes montaram um time sem alma, composto por um bando de filhos da puta sem nenhum caráter, minha inspiração assim como o futebol do São Paulo literalmente sucumbiu diante de tamanha canalhice.
O desgosto é grande, escrever alguma coisa nova ou diferente sobre o atual momento está difícil, sobretudo quando a sensação que tenho é que tudo o que eu poderia dizer sobre mais uma deprimente derrota em casa já foi dito anteriormente diversas vezes. Vivenciar hoje o São Paulo em sua plenitude, como eu e alguns outros amigos fazemos significa obrigatoriamente sofrer. A única coisa que podemos esperar de um time comandado por uma corja de velhos esclerosados, e que vai a campo com um elenco indolente e descompromissado como o nosso são derrotas, eliminações e vexames.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Desesperança II

Todo e qualquer campeonato tem sua importância, é verdade que algumas competições são mais importantes do que outras, entretanto eu na condição de torcedor não consigo menosprezar nenhum torneio em que o São Paulo esteja envolvido. É inegável que a Recopa sempre foi e sempre será um campeonato secundário e de menor expressão, contudo ela tem os seus atrativos, sobretudo quando uma edição é decidida mediante um confronto direto entre dois times com uma forte e acirrada rivalidade, conferindo assim ao campeonato um grande apelo.
A disputa deste ano envolvia os dois maiores rivais do futebol paulista na atualidade, de um lado São Paulo do outro Corinthians, de um lado o time que tanto amamos e do outro o time que mais odiamos, assim mesmo sem meio-termo. Era um jogo que por si só independente do contexto já merecia um Morumbi cheio, valendo taça então era para ter torcedor saindo pelo ladrão nas arquibancadas do Cícero Pompeu de Toledo, mas como de costume o estádio esteve longe de atingir sua capacidade máxima.
Presenciamos ontem a noite mais uma apresentação ordinária deste nauseante time do São Paulo, algo que já se tornou uma triste constante na vida do torcedor são paulino nesse deprimente ano de 2013. Não vou entrar em detalhes sobre como foi a partida, isso seria por demais torturante, acredito que todos nós já vimos e lemos o suficiente para entender que este time não chegará a lugar nenhum, que dia 17 no jogo de volta no Pacaembu provavelmente sofreremos mais uma derrota e perderemos mais um título para o Corinthians, sacramentando ainda mais nossa condição de freguês do rival alvinegro.
Sim, antes mesmo de irmos a campo já estamos condenados a eliminação, o fracasso amigos é algo inevitável para este time uma vez que quem o comanda fora das quatro linhas o talhou para isso, construindo um elenco desequilibrado mediante uma mescla de jogadores que nunca passaram de meros coadjuvantes com falsas promessas da sempre superestimada base de Cotia. A desesperança só aumenta, visto que toda aquela rotina de fracassos e derrotas prevista para um clube que peca pela falta de planejamento e organização como o nosso, concretiza-se campeonato após campeonato.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Desesperança

Aguardo sempre com muita ansiedade a publicação da tabela do Campeonato Brasileiro, visto que programo meus compromissos de acordo com as datas dos jogos do São Paulo, tomando sempre o devido cuidado para que nada me impeça de estar presente nos jogos onde somos mandantes e até em alguns jogos onde somos visitantes. Portanto, é fundamental saber com alguma antecedência quando, onde e em qual horário serão disputadas as partidas, seja para já ir convencendo a namorada, para comprar passagens mais baratas e para bolar uma maneira de faltar no trabalho sem prejuízos maiores. Em suma, é necessário um tempo hábil para tornar tudo possível e o menos conflitante possível.
Originalmente Grêmio e São Paulo estava marcado na tabela para o dia 09/06, por algum motivo o jogo mudou para o dia 12/06, posteriormente mudaram a data do jogo para o dia 08/06 e finalmente a maldita CBF decidiu que o jogo seria disputado novamente no dia 12/06  A ideia inicial era estar presente nesse jogo e me planejei para isso (comprando passagens e reservando hotel), contudo nenhum planejamento resiste a um jogo, que num intervalo de tempo de dois meses teve a sua data alterada TRÊS VEZES (!!!). Portanto, depois de todos esses acontecimentos já não tinha mais esperança de ir até Porto Alegre, assim assistir o primeiro confronto entre Grêmio e São Paulo no novo estádio gremista pela televisão seria algo bem desagradável para mim.
Impossibilitado de ir até o estádio fui perdendo o interesse pela partida. Conforme o contexto em que a partida estava inserida ia adquirindo contornos cada vez mais nojentos com: jogador se fazendo de vítima e demonstrando uma incompreensível insatisfação com sua situação dentro do clube, dirigente incapacitado e esclerosado dando indireta para jogador via imprensa, torcedor que não pisa em estádio insistindo em cagar regra e jornalistas e meios de comunicação mal-intencionados que estão mais preocupados em criar e repercutir boatos do que apurar as informações que são publicadas- meu desinteresse aumentava consideravelmente transformando-se quase que em um completo desânimo.
Não esperava muita coisa do São Paulo, na verdade eu não esperava muita coisa do jogo em si, uma vez que a fase e a qualidade técnica dos dois tricolores não são das melhores. No fim das contas o empate em 1x1 acabou sendo o resultado mais justo e esperado, com a gente ligeiramente melhor no primeiro tempo e eles no segundo. Reconheço que nosso time é limitado e que há sérias carências no elenco, entretanto embora o time não seja nenhuma maravilha é o que está acontecendo longe das quatro linhas que está deixando o clima pesadíssimo, complicando as coisas e colocando tudo a perder.
A sensação que tenho é que mesmo bem posicionado no Campeonato Brasileiro e prestes a disputar uma importante final de campeonato, esta temporada para o São Paulo está fadada ao completo fracasso. Faço essa afirmação porque é nítido que há hoje no tricolor paulista muita gente incompetente, que criam uma série de problemas ao invés de resolvê-los, pessoas que tem a obrigação de trabalhar para que tudo flua em ordem e harmonia, mas que estão agindo segundo interesses próprios, conturbando o ambiente de tal maneira que não é possível enxergar qualquer perspectiva de mudança. A desesperança é grande, e ela dificilmente nos abandonará enquanto estivermos falando sempre das mesmas pessoas.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Juvenal Juvêncio

"Layden ainda ergueu a tribuna de cimento do antigo estádio de madeira- que ganhou o nome de Arquitecto Ricardo Etcheverry, seu vice e responsável pelo projeto do novo setor-, um ginásio poliesportivo para 8 mil pessoas abaixo desta platéia e todo o sistema de iluminação do complexo. Fez isso tudo, mas não soube a hora de deixar o cargo. Nas palavras do torcedor e sócio Arturo, 68 anos a explicação: Ele foi um um ser humano notável, extraordinário. Mas ficou tempo demais à frente do clube e, quando isso acontece, tudo se contamina e você se afasta da realidade."

Trecho do texto Grandeza perdida em Caballito , de Rodrigo Barneschi que fala sobre Santiago Layden, presidente do Ferro Carril Oeste que durante o período que esteve a frente do clube do bairro de Caballito adotou práticas e métodos semelhantes aos hoje utilizados por Juvenal Juvêncio no São Paulo.
Guardadas as devidas proporções, creio que o paralelo é válido e pensar a respeito é necessário, principalmente depois de tudo o que presenciamos ontem a noite no gramado do Morumbi.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acerca de mais uma rodada

Enfrentar o Atlético Mineiro no Independência não é nada fácil, desde que o estádio foi reinaugurado em 2012 a equipe mineira defende ali uma respeitável invencibilidade de 35 jogos. O São Paulo sabe muito bem a dureza que é ser visitante naquele lugar, tanto é que este ano nas duas oportunidades que jogamos lá voltamos para casa com duas derrotas, sendo que a última delas resultou em uma sumária e dolorosa eliminação.
Dado todo o poderio atleticano jogando em seus domínios, um empate ontem por si só já seria classificado como um bom resultado. Levando em consideração que o empate sem gols conquistado em Belo Horizonte significou a manutenção da liderança, devemos encará-lo como um ótimo resultado, inclusive pelo fato do time estar bastante desfalcado e os respectivos substitutos serem quase todos uns verdadeiros incapacitados.
No final das contas além do resultado ter agradado tanto atleticanos quanto são-paulinos, que não perderam posições na tabela ao término da rodada, ele também acabou sendo um resultado justo. Embora as duas equipes tenham alternado bons e maus momentos ao longo de toda a partida, com alvinegros e tricolores criando e oferecendo chances basicamente na mesma proporção, nenhum deles chegou a estabelecer um domínio contundente sobre o adversário.
A liderança é importante e de certo modo até impressiona, uma vez que o elenco passa por uma considerável reformulação, com jogadores sendo dispensados e contratados/reintegrados de uma maneira bastante esquisita. Entretanto a primeira posição na tabela não significa rigorosamente nada, especialmente em uma competição extensa como é o Campeonato Brasileiro, com longas trinta e oito rodadas e que começou a apenas três.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Morumbi, 24 dias depois

Saber que depois de tanto tempo (24 dias para ser mais exato), ao final de um longo e exaustivo dia de trabalho eu novamente me encaminharia rumo a zona sul paulistana, a fim de acompanhar uma partida do São Paulo no Morumbi era algo animador e reconfortante, fazendo com que todas as adversidades enfrentadas para chegar até o estádio (trânsito caótico e horário indecente) fossem ignoradas. Bastava eu adentrar a Rua João Jorge Saad e conseguir avistar o Morumbi, para ter a certeza que eu seria devidamente recompensado pela minha escolha.
Quando falo em recompensa me refiro a oportunidade de após uma longa e incômoda espera, poder rever os amigos e junto com eles fazer parte de mais um capítulo da nossa grandiosa história escrita no Cícero Pompeu de Toledo. Para um torcedor de verdade, que realmente se importa e ama seu time de coração, nada é mais importante e sagrado do que estar ao lado dele no estádio empurrando-o para a vitória. Por mais que o futebol possa mudar através do tempo, a experiência de passar noventa minutos em pé numa arquibancada nunca será superada.
Ontem fomos pouquíssimos no Morumbi, mas confesso que em algumas ocasiões até prefiro assim. Concordo que é uma vergonha apenas oito mil torcedores se disporem a acompanhar o São Paulo, contudo sei que ontem eu estava cercado de torcedores que de fato se importam com o São Paulo. Os mesmos de sempre, que vão aos jogos independente dos onze que são escalados, do campeonato, da posição na tabela, do adversário, do clima e de tantas outras questões supérfluas que só afastam dos estádios aqueles que mantêm uma relação fria e superficial para com quem dizem torcer.
Os felizardos que ontem estiveram presentes no Morumbi presenciaram uma partida com dois tempos totalmente distintos, uma primeira etapa sem graça e de futebol mal jogado e uma segunda etapa interessante e repleta de gols. A goleada pelo placar de 5x1 sobre o Vasco acabou surpreendendo a todos, visto que ela foi estabelecida mesmo com o São Paulo fazendo uma partida apenas razoável. A vitória e os três pontos eram importantes, entretanto o que mais importava ontem era finalmente podermos nos reencontrar com nosso time e o nosso estádio.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aquilo que perturba e incomoda

Da eliminação para o Atlético Mineiro na Libertadores, até a estreia no Campeonato Brasileiro ontem contra a Ponte Preta em Campinas foram dezoito dias sem futebol. Até pensei em escrever alguma coisa neste longo intervalo de tempo, contudo optei pelo silêncio, algo que dado o momento era muito mais valioso e significativo do que qualquer coisa que eu viesse a escrever, principalmente porque o cenário pelos lados do Morumbi não era nada animador e porque já tinha muito imbecil escrevendo e fazendo um monte de merda por aí.
Durante essas quase três semanas que o São Paulo ficou sem entrar em campo, motivos para se sentir perturbado e incomodado não faltaram. Nosso presidente golpista reintegrou ao grupo um ex-jogador, um sujeito hipócrita e dissimulado (não é a toa que hoje ele está na política) lançou sua candidatura à presidência do São Paulo, o camisa nove que não aceita nenhum tipo de questionamento fez biquinho e ficou triste ao ser criticado, pseudo torcedores ameaçaram cancelar seus planos de sócio-torcedor caso o mimado centroavante fosse negociado, a CBF me fez perder pela segunda vez mais duas passagens aéreas ao mudar a data do jogo contra o Grêmio em Porto Alegre pela terceira vez e a PM me proibiu de estar ao lado do meu time no Moisés Lucarelli.
Não é nada fácil ter que lidar com uma frequência cada vez maior, com situações absurdas e inadmissíveis semelhantes as descritas no parágrafo acima. Ver algo que proporciona um enorme sentido para a minha vida e que eu vivencio de maneira intensa sendo maltratado e destruído por dirigentes inescrupulosos, jogadores oportunistas e torcedores parasitas me causa um tremendo desgosto, fazendo muitas vezes com que eu me sinta um verdadeiro idiota por amar tanto esse esporte. O rumo que o futebol hoje está seguindo não é mais compatível com torcedores que insistem em ter com ele apenas uma relação de amor.
Pensei que o início da disputa de um novo campeonato amenizaria um pouco toda essa minha indignação, contudo a impossibilidade de acompanhar a partida no estádio, dada a descabida proibição imposta à torcida são paulina de maneira unilateral pela PM potencializou toda a minha amargura. Eu até que gostaria de poder falar sobre o jogo, sobre a nossa vitória pelo placar de 2x0, sobre nossas perspectivas para o campeonato e tudo mais, entretanto é extremamente difícil se concentrar nas coisas que acontecem dentro de campo quando fora dele tudo está ruindo em um ritmo assustadoramente rápido.