terça-feira, 15 de março de 2011

Perspectivas Favoráveis

Logo no começo do ano, quando eu me punha a analisar as possibilidades e os limites do São Paulo, tanto do time quanto do clube, eu via nosso tricolor envolto em um cenário nada animador. O time para a nova temporada, era praticamente o mesmo, que meses atrás, fizera uma campanha ridícula no Campeonato Brasileiro, com o agravante de que para este ano que começava, tinhamos perdido nosso melhor atacante (Ricardo Oliveira), voltava para o time alguns refugos (Mazola e Marcelinho Paraíba), e uma única contratação havia sido feita (Juan). O clube, comandado com mão de ferro por Juvenal Juvêncio, estava prestes a sofrer o maior golpe político de sua história, com o seu presidente articulando nos bastidores, uma mudança estatutária que lhe daria direito a um ilegítimo terçeiro mandato.
Com o passar dos dias e das rodadas, todas as minhas impressões negativas se confirmavam. O time em um determinado momento do Campeonato Paulista, acumulava três derrotas em apenas sete rodadas disputadas, e mesmo nas partidas em que saíamos vencedores, o futebol praticado não empolgava nem convencia ninguém. Já no âmbito político, contando com o aval e o consentimento da grande maioria dos conselheiros, Juvenal mediante um ato déspota, passou por cima do estatuto do clube, e conseguiu colocar em prática, o golpe que lhe permitirá ficar mais três longos anos no poder, mandando e desmandando no clube.
Hoje, passadas treze rodadas do Paulistão, podemos perceber que aos poucos, o São Paulo vai conseguindo mudar os rumos de uma trajetória, que parecia estar fadada ao fracasso. Politicamente as coisas ainda continuam mal, pois embora Juvenal tenha se comportado de maneira exemplar, ao peitar a CBF e a Rede Globo na defesa dos interesses do Clube dos 13, é bom deixar bem claro que nosso clube caminha na contramão da história, pois enquanto nosso presidente se perpetua no poder, outros clubes já percebendo o quanto isso é perigoso, começam a limitar e diminuir o tempo de mandato de seus dirigentes.
Dentro de campo porém, as coisas começam a se acertar, embora Carpegiani diga que apenas Rogério Ceni e Lucas tem lugar garantido na equipe titular, hoje já conseguimos enxergar com uma boa nitídez, uns 70% do time titular. Time este, que vem evoluindo seu futebol ao longo das rodadas, e que tende a melhorar ainda mais, uma vez que com o tempo, o bom trabalho de nosso treinador, começará cada vez mais a surtir efeito dentro das quatro linhas, principalmente quando Luis Fabiano já estiver recuperado da lesão, e apto a fazer sua reestréia pelo time, e o zagueiro Coates for liberado pelo Nacional, trazendo de volta ao Morumbi, toda aquela aura uruguaia que no tricolor se manifesta na sua plenitude.
E no mínimo curioso, e ai eu já não sei se Juvenal está com peso na consciência, ou adotando uma política nos moldes do pão e circo, mas após ele efetuar o golpe, o velho resolveu tirar o escorpião do bolso, e reforçar a equipe. Evidente que nada justifica ou ameniza, os atos do novo tirano do Morumbi, e ainda não temos idéia dos rumos que o São Paulo tomará politicamente, e quais serão seus efeitos dentro de campo, todavia, por mais incrível que possa parecer, ao menos hoje, as perspectivas são muito favoráveis ao São Paulo, com um time que vem evoluindo e se reforçando. Tomara que amanhã, Juvenal consiga conter todo o seu ímpeto centralizador, e não acabe atrapalhando o time, e colocando tudo a perder.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Primeiro Lugar

A vitória sobre o frágil time do Ituano no Morumbi, em mais um jogo no pornográfico horário das 21:50 (obrigado Rede Globo e FPF), colocou o São Paulo na liderança do Campeonato Paulista. Mesmo que o primeiro lugar na tábua de classificação, se estabeleça mediante os critérios de desempate, uma vez que Corinthians, Santos e Palmeiras, possuem os mesmos vinte e cinco pontos que o tricolor paulista, é louvável o fato de depois de tanto tempo, nosso time conseguir liderar um campeonato.
Isto não significa, todavia, que tudo está na mais perfeita e completa harmonia, pois puxando na memória os doze jogos de nossa campanha no campeonato estadual, não consigo me recordar de nenhuma grande atuação do nosso time. O que vejo, são apenas pequenos bons momentos em determinadas partidas, porém nada de tão empolgante assim, e que englobasse a totalidade dos noventa minutos.
Em um torneio, onde a esmagadora maioria dos participantes são dignos de pena, não conseguir fazer ao menos uma grande partida, demonstra que nosso treinador ainda tem muito o que fazer, no sentido de capacitar o São Paulo na busca de apresentações mais qualificadas e convincentes. Contudo, devo reconhecer que Carpegiani, vem trabalhando com muita seriedade e dedicação, principalmente por suas corretas atitudes em relação aos folgados do Dagoberto e do Alex Silva, e por toda sua honestidade ao reconhecer e admitir que tanto o time quanto o seu trabalho, ainda tem muito o que melhorar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Anacleto, São Paulo 2x0


A última vez que o São Paulo havia enfrentado a equipe do São Caetano, jogando no estádio Anacleto Campanella, tinha sido em partida válida pelo Campeonato Paulista de 2007. Naquele dia, perdemos o jogo por 1x0, um resultado de certo modo normal, pois naquela época era dureza enfrentar a equipe do ABC Paulista, onde quer que fosse disputada a peleja, os confrontos contra o Azulão eram equilibradíssimos.
Com o passar do tempo, sobretudo após a morte de Luiz Tortorello, o prefeito da cidade que dava um imenso suporte financeiro ao clube, o time do São Caetano perdeu muito da sua força. Prova disto, é que hoje o time a anos morga na segunda divisão, sem perspectiva alguma de acesso, e o mesmo já não consegue mais fazer frente aos grandes clubes da capital, vide o jogo de sábado passado.
Mesmo com um time repleto de desfalques, atuando com vários jogadores reservas, e com o parco entrosamento oriundo de apenas uma semana de treinamentos, esse remendado time do São Paulo, não teve muita dificuldade em conquistar uma vitória por 2x0. Não foi uma partida de futebol vistoso, dadas as circunstâncias nem poderia ser, fizemos quase que de maneira protocolar, exatamente aquilo que era necessário, para garantir o que de fato importava naquela noite de sábado de carnaval, mais três pontos na tabela de classificação.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Segue O Tabu

Não sei se o jogo entre São Paulo e porco disputado na tarde de ontem foi o mais longo da história dos Choques- Reis, sei que dentre todas as partidas que já presenciei contra o decadente time de verde da Barra Funda, o embate de ontem sem dúvida alguma foi o de maior duração e o mais molhado. A tempestade que castigou a região do Morumbi, atrasando o início da partida em uma hora, de uma só vez mostrou que: devido os interesses comerciais e televisivos, é praticamente impossível adiarem um jogo transmitido pela Rede Globo; o sistema de drenagem do noso gramado é de grande eficiência, pois a bola rolar após um temporal de horas é algo impressionante; e as arquibancadas do Cícero Pompeu de Toledo, podem também serem utilizadas para a prática de esportes aquáticos.
Quando finalmente a chuva deu uma trégua e o nosso estádio deixou de sofrer com as intempéries, e a bola começou a rolar, vinte e cinco minutos foram suficientes para o São Paulo marcar um gol, e abrir vantagem no placar. O jogo estava sob controle, o Palmeiras com toda sua incapacidade congênita, não fazia frente para seu maior algoz, sobretudo jogando em nossa casa, dominamos o primeiro tempo e o início da etapa complementar, pena o juíz e nosso zagueiro Alex Silva, quase terem posto tudo a perder.
Durante todo o clássico, o juíz adotou dois critérios bem distintos, sendo conivente com a violência do nosso adversário, e coibindo com cartão, qualquer falta mais dura dos nossos jogadores. Era nítido que o assoprador de apito, fazia uma arbitragem tendenciosa a favor do Palmeiras, daí um jogador experiente como o Alex Silva, que diz querer marcar história no São Paulo, vivenciando tudo o que acontecia dentro de campo, jamais poderia ter cometido um erro de tamanha estupidez e burrice, principalmente contra um porco, sobretudo com um porco de tamanha insignificância, pois era óbvio que ele seria expulso.
Dito e feito, mesmo sendo o cartão amarelo o mais adequado para o lance entre nosso zagueiro e o atacante palmeirense, o juíz não hesitou em mostrar cartão vermelho para Alex Silva, que ao ser expulso, deixou nosso time na mão, e comprometeu todo o esquema de jogo montado por Carpegiani, pois com um jogador a menos, a porcado logo empatou o jogo, e o 1x1 permaneceu até o final da partida. Um resultado que não me agradou, pois era evidente que no onze contra onze, eles não conseguiriam fazer nenhum gol em nós, todavia o empate, serviu para manter o enorme tabu, que mantemos contra aquela piada vestida de verde. 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Miséria Do Futebol

Futebol dentro de campo é uma das coisas mais sensacionais que existe, poucos acontecimentos em minha vida podem ser tão prazerosos quanto estar na arquibancada junto dos amigos acompanhando uma partida de futebol. A angústia pela espera do gol salvador, a felicidade do triunfo sobre o rival, as provocações entre as torcidas e até mesmo a desolação pós derrota, fazem dos noventa minutos que envolvem um jogo uma experiência única e catártica.
Se dentro de campo o futebol ainda consegue manter intacta toda a sua aura de encantamento, quando saímos dos limites das quatro linhas constatamos que o nosso esporte tão amado, trilha por um caminho onde encontramos apenas falcatruas, corrupções, mentiras e fraudes. Longe de um estádio de futebol, quando os protagonistas da história passam a ser os cartolas, as únicas sensações que nós torcedores conseguimos sentir estão exclusivamente relacionadas com a vergonha e com o nojo.
Nos gabinetes, nas federações, nas confederações e nos tribunais esportivos, todas as decisões e iniciativas tomadas pela cartolagem são sempre elaboradas em detrimento ao futebol e aos torcedores, já que visam atender apenas as necessidades e os interesses próprios, ou de grupos e empresas que mantém uma relação predatória com o esporte. É o estatuto do torcedor que só nos impõem obrigações e deveres, não nos dando nenhum direito ou respaldo; é o monopólio de uma maldita rede de televisão que age de maneira inescrupulosa; é uma confederação que trabalha em prol de si mesma; é um bando de dirigentes de clubes que apresentam uma dificuldade enorme em fazer algo de benéfico para os clubes que administram.
Os exemplos não param por ai, dia após dia somos surpreendidos com atos que contribuem para que o futebol e nossos times caminhem rumo ao buraco. A mais nova investida contra nosso esporte favorito, que diz respeito a todo o imbróglio envolvendo CBF, Redes de Televisão, Taça das Bolinhas e Clube dos 13, ilustra muito bem isso. Não vou ficar verbalizando sobre mais essa picaretagem envolvendo as instituições acima citadas, pois trata-se de um assunto que já aborreceu todos os torcedores o suficiente. Contudo, é de se lamentar a falta de inteligência dos mandatários dos times do futebol brasileiro, pois ao invés deles se auto destruirem, em conjunto eles poderiam fazer frente àqueles que tanto prejudicam nosso futebol, todavia eles preferem se tornarem cúmplices dos mesmos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pequena Boa Sequência

Após uma boa apresentação contra a equipe do Treze pela Copa do Brasil, a única até então neste ano, eis que nosso time, agora em partida válida pelo Campeonato Paulista frente ao Bragantino, emendou de maneira consecutiva, um segundo bom jogo nesta temporada. Mesmo enfrentando adversários fracos tecnicamente, como os paraibanos de Campina Grande, e os linguiceiros de Bragança, nos comportamos nesses dois últimos jogos, de maneira condizente com aquilo que se espera de um time do nosso porte.
Evidente, que dada toda a fragilidade dos nossos dois adversários em questão, utilizar os jogos contra os mesmos como parâmetro, requer alguns cuidados, principalmente em saber dimensionar o nível dessas equipes menores, em relação ao nível dos times grandes que disputarão o título cabeça a cabeça conosco. Portanto, será através dos confrontos contra os times do trio de ferro, que poderemos afirmar com alguma certeza, se de fato o São Paulo será um verdadeiro postulante ao título.
Cabe a Carpegiani, mediante aquilo que se é observado a partir de treinos e jogos, e fundamentalmente, executando ações pautado pelo óbvio (escalando jogadores em suas respectivas posições, e mantendo fora do time jogadores incapacitados), definir o mais rápido possível o time titular, e um esquema de jogo. Sei que as opções de elenco agora se mostram um pouco mais fartas, e que nosso treinador tem uma tendência à invencionices, todavia para aumentar essa pequena sequência de bons jogos, e torná-la algo constante, obrigatoriamente a torcida precisará saber escalar o time titular. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

De Volta À Copa Do Brasil

Alguns jogos de futebol, permanecem para sempre guardados em nossa memória. Os motivos que levam determinados jogos, a serem classificados como inesquecíveis, são os mais diversos: as vezes tudo está relacionado com a dor da derrota ou da desclassificação, outras devido a felicidade da vitória ou do título. Há também aqueles tipos de jogos, que se tornam memoráveis, por episódios ocorridos fora de campo, me refiro aqui aos percalços enfrentados na aquisição de ingressos, e os deslocamentos feitos com os amigos até o estádio, por exemplo.
Nossa volta à Copa do Brasil ontem, me fez relembrar um desses jogos, falo do último jogo que o São Paulo havia feito neste torneio até então. Não sei exatamente se foi pelas boas companias, ou pelo tormento pós eliminação, mas não me esqueço que oito anos atrás, junto com alguns amigos da faculdade, decidimos matar a aula de Política II, e ir até o Morumbi ver o São Paulo enfrentar o Goiás, pelas quartas de final do campeonato de 2003. Precisávamos apenas de uma vitória simples para avançar às semifinais, já que no jogo de ida em Goiania, empatamos por 0x0.
Fracassamos naquela noite, como já vinhamos fracassando há um bom tempo, não passamos de um empate por 1x1, e fomos eliminados. No caminho de volta para casa naquela noite, completamente atordoado por mais uma eliminação ridícula, só conseguia pensar em quando veria um São Paulo forte e competitivo novamente, e não me parecia que isso aconteceria tão cedo. Não foi possível ver isto no restante de 2003, tampouco ao longo de 2004, tivemos que esperar até 2005, contudo, a espera foi muito bem recompensada.
Durante os anos seguintes, de títulos atrás de títulos,sempre lamentei o fato de não podermos disputar a Copa do Brasil, pois não a vejo como um simples torneio atalho à Libertadores, mas sim como uma competição muito importante, que ainda não tivemos a capacidade e a honra de ser campeão. Ano passado, quando já estava evidente que ficaríamos em posições intermediárias no Campeonato Brasileiro, não lamentei a futura ausência no torneio sulamericano, pois já não estava nos fazendo nada bem, buscar durante tanto tempo um título, sem obter êxito, respirar outros ares era mais do que necessário.
Ontem, depois de oito longos anos afastados de lugares como Campina Grande, Teresina, Maceió e Manaus, fizemos nossa reestréia no torneio nacional. Não sei se jogar contra o Treze da Paraíba, foi como enfrentar o vento, mas acho que nosso adversário nordestino, não é um time tão inferior assim, quando comparado com os times do interior paulista que nos derrotaram este ano. Sei lá, talvez eu possa estar enganado, pouco importa, o importante é que ontem, finalmente eu vi um jogo decente do São Paulo este ano, encurralando o adversário, criando inúmeras chances de gol, se impondo. Foi bom, fez reacender novamente aquela chama de esperança que já estava se apagando, sobretudo por ver que o time este ano, estava começando a ficar muito parecido com aquele São Paulo de longíquos oito anos atrás, que frustrava constantemente um torcedor de 22 anos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Suor

Um sol escaldante, digno daqueles encontrados nos desertos mais quentes, áridos e secos do mundo, elevava a temperatura a níveis insuportáveis, consequência direta de um aquecimento global, que hoje já me parece algo irreversível, castigava impiedosamente todos os torcedores presentes no Canindé. De maneira abundante, o suor brotava da face das pessoas, e a procura pelo abrigo da sombra, e o refresco da água, determinava os deslocamentos por toda a arquibancada.
Com a bola rolando, o calor apenas aumentava, não necessariamente porque a temperatura subia, mas porque o São Paulo, e seu futebolzinho característico, proporciona ao seu torcedor, apenas vitória suadas, no limite. Ontem não foi diferente, a vantagem de dois gols no placar, nas duas vezes em que foi estabelecida, não chegou a durar muito tempo, logo nosso adversário diminuia a diferença no placar, sendo que por muito pouco, já nos acréscimos, no ápice da suadeira, a Portuguesa em uma cobrança de falta quase empatou a partida, não fosse Rogério...
Encerrada a peleja, enxugando as últimas gotas de suor do rosto, o pensamento fixava-se nas possibilidades e nos limites do nosso time, a partir do momento em que a molecada da base retornar da seleção sub-20. Não acompanhei o torneio Pré-Olímpico, mas pelo que me disseram, e pelo pouco que li a respeito, parece que os jogadores são paulinos se destacaram no torneio. Tenho lá minhas incertezas em relação a Casemiro, Bruno Uvini, William José e Henrique, contudo referente a Lucas, não tenho dúvidas quanto a tudo de positivo que ele pode acrescentar ao nosso time, e caso haja a colaboração do restante do elenco, quem sabe vitórias menos suadas possam começar a acontecer.