quinta-feira, 9 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Pensamentos fragmentados
Tentei escrever algo
coeso e pormenorizado a respeito dos acontecimentos da semifinal disputada
ontem a tarde no Morumbi entre São Paulo e Corinthians, todavia não consegui. A
mistura dos sentimentos/sensações de revolta com a arbitragem, estresse e esgotamento com
as cobranças de pênalti e dor e frustração com a eliminação ainda ecoam dentro
de mim, assim não consigo escrever nada além de alguns fragmentos em forma de
desabafo.
- Não tenho o hábito de reclamar da arbitragem, juízes e bandeirinhas costumam errar para os dois lados praticamente na mesma proporção, entretanto ontem as decisões do trio de arbitragem foram descaradamente tendenciosas a favor do Corinthians. Não questiono a anulação do pênalti que Rogério defendeu, é inegável que o mito se adiantou, o que eu contesto é a falta de critério da arbitragem ao não punir com o mesmo rigor o goleiro adversário, que confessou também se adiantar no momento das cobranças e uso de dois pesos e duas medidas na questão das faltas e cartões amarelos aplicados ao longo da partida.
- As duas contratações
mais caras do elenco perderam pênalti, nada mais sintomático uma vez que
falamos de dois jogadores que deixam muito a desejar. O camisa oito mostrou ao
longo do campeonato que não passa de um pseudo craque, um jogador que está
muito longe de valer tudo aquilo que nele foi investido; já o camisa nove é um
desequilibrado mental, um jogador que nos deixa na mão com uma frequência
inaceitável, ora porque ele está ausente devido suas imbecilidades, ora porque
nos momentos decisivos ele só é notado pelas merdas que faz em campo.
- Não considero o time
do São Paulo ruim e gosto do trabalho realizado por Ney Franco, o que
compromete (além das cagadas individuais de alguns jogadores) é a enorme
carência de jogadores de qualidade em algumas posições. Contamos com apenas um
zagueiro confiável, a lateral esquerda é divida por dois enganadores e a
lateral direita virou um eterno espaço para improvisações, uma mais tosca que a
outra, diga-se. É este desequilíbrio presente no elenco ao longo dos últimos
anos que tem nos custado algumas derrotas e eliminações doloridas.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Do céu ao inferno em um lance
O relógio marcava
trinta e cinco minutos do primeiro tempo. Até então o São Paulo fazia uma partida
que beirava a perfeição, nosso controle era absoluto dentro de campo,
dominávamos o Atlético Mineiro de maneira contundente, não dávamos espaço para
nenhum jogador vestido de preto e branco articular qualquer tipo de jogada,
nossa superioridade era tamanha que uma goleada (que deixaria nossa
classificação muito bem encaminhada) começava a se esboçar.
O cenário era
totalmente favorável ao São Paulo; estádio lotado, 1x0 no placar, torcida
pulsando e time jogando muita bola. Nem mesmo após as inúmeras oportunidades de
gol perdidas de maneira bisonha pelo terceiro reserva do ataque abalou o ânimo
e o ímpeto do tricolor, continuamos indo para cima de um adversário acuado e
impotente. Foi então que um lance mudou completamente o rumo da partida,
levando o São Paulo que flertava de perto com o céu diretamente para as
profundezas de um inferno agonizante.
Toda a expectativa que
circundava o Morumbi desapareceu quando no trigésimo quinto minuto de bola
rolando, o filho da puta que hoje veste nossa camisa número três tomou o
segundo cartão amarelo e foi expulso. O São Paulo sentiu demais o golpe, com um
jogador a menos todo o esquema montado por Ney Franco e que até então funcionava
muito bem foi literalmente destruído. Em desvantagem numérica não demorou muito
tempo para o São Paulo perder o controle da partida e ceder o empate, o que
aconteceu quando o primeiro tempo chegava ao fim.
Na segunda etapa o São
Paulo até que tentou equilibrar as ações, contudo o estrago já estava feito. A
cada minuto que passava, a cada jogada não concluída pelos jogadores são-paulinos
os danos causados pela imbecilidade daquele desgraçado que já não estava mais
em campo se mostravam cada vez mais profundos e irreparáveis. O São Paulo
estava entregue, e o gol da virada foi o tiro de misericórdia que pode ter nos
custado a classificação.
Fazia tempo que eu não
saia do Morumbi tão perturbado com uma derrota. A sensação não é de revolta ou
dor, na verdade sinto uma mistura de frustração com inconformidade, que desde
ontem a noite tem causado uma tremenda bagunça na minha cabeça. Por mais que eu
possa escrever sobre o jogo eu não consigo raciocinar direito a respeito dele.
Tentar esquecer então é algo fora de cogitação, principalmente porque a todo instante eu me pego pensando na viagem para Belo Horizonte semana que vem.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Muito sobre a camisa e um pouco sobre a classificação
A existência de uma
cláusula no estatuto do São Paulo, que proíbe o uso de um terceiro uniforme
sempre foi para mim algo digno de comemoração. Enquanto nossos rivais se
descaracterizavam vestindo uniformes roxo, cinza, vinho, azul e amarelo
fluorescente, o São Paulo felizmente se recusava a adotar tal prática. Muitos
enxergam e classificam essa postura como errada, atrasada e conservadora demais,
eu vejo nisso um enorme e admirável respeito as nossas tradições.
É verdade que ao longo
dos nossos setenta e oito anos de história, em algumas ocasiões chegamos a usar
outros uniformes que não o nosso tradicional fardamento tricolor, contudo todas
elas foram exceções bem pontuais ou obras meio que do acaso (como nas vezes que
por falta de uniforme reserva usamos camisas emprestadas por outras
agremiações). Nada do que
aconteceu no passado pode ser comparado ao que presenciamos ontem no Morumbi.
Hoje o contexto é completamente diferente, décadas atrás o marketing estava muitíssimo longe de contaminar o futebol com seus conceitos e práticas predatórias, besteiras como terceiro uniforme não fazia parte do vocabulário do futebol. Bons tempos aqueles que não tínhamos que lidar com torcedores/consumidores deslumbrados, que anseiam por novidades e que não se importam em ver nossa sagrada camisa ser completamente desfigurada.
Hoje o contexto é completamente diferente, décadas atrás o marketing estava muitíssimo longe de contaminar o futebol com seus conceitos e práticas predatórias, besteiras como terceiro uniforme não fazia parte do vocabulário do futebol. Bons tempos aqueles que não tínhamos que lidar com torcedores/consumidores deslumbrados, que anseiam por novidades e que não se importam em ver nossa sagrada camisa ser completamente desfigurada.
Ao entrar em campo
para enfrentar a Penapolense vestindo um uniforme todo vermelho (camisa, calção
e meias), diferente do que afirmam os profissionais do departamento de
marketing são paulino, não participamos de um evento histórico, único e
especial, mas sim de um momento esquecível dentro da história do São Paulo. Ignoramos
o estatuto e a história para que pudéssemos usar um terceiro uniforme (aquilo não
era uma camisa comemorativa como a tricolor celeste que nunca chegou a ser
usada em um jogo oficial) pavoroso, portanto não vejo motivos para querer
guardar isso na memória.
Após o estranhamento e a vergonha com o uniforme diminuir, pude dar a devida atenção ao jogo. Não esperava que a classificação fosse tão suada e sofrida, tivemos muita dificuldade para conseguir fazer o gol da vitória (na verdade a Penapolense fez para a gente), por muito pouco tudo não foi resolvido através das sempre tensas cobranças de pênalti. Quando o árbitro encerrou a partida o alívio e a comemoração foi intensa, tanto pela classificação que estava assegurada quanto pelo desaparecimento de campo daquele ofensivo uniforme vermelho.
Após o estranhamento e a vergonha com o uniforme diminuir, pude dar a devida atenção ao jogo. Não esperava que a classificação fosse tão suada e sofrida, tivemos muita dificuldade para conseguir fazer o gol da vitória (na verdade a Penapolense fez para a gente), por muito pouco tudo não foi resolvido através das sempre tensas cobranças de pênalti. Quando o árbitro encerrou a partida o alívio e a comemoração foi intensa, tanto pela classificação que estava assegurada quanto pelo desaparecimento de campo daquele ofensivo uniforme vermelho.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Dezenove rodadas depois
O
jogo em Mogi Mirim foi lastimável, nosso preguiçoso e desentrosado time reserva
não conseguiu chutar uma bola sequer com perigo à meta adversária. Se este jogo
é digno de nota, isso se deve ao fato dele ser válido pela última rodada. Demorou,
mas dezenove rodadas depois a entediante primeira fase do Campeonato Paulista
finalmente chegou ao fim. Exceção feita aos clássicos contra porco e gamba e o
jogo contra o Santos, o resto do campeonato foi uma interminável sequência de
jogos desinteressantes contra times falidos do interior paulista em estádios
quase sempre vazios.
Agora
com o início da fase mata-mata, poderemos enfim acompanhar um campeonato mais atraente, onde
todos os jogos terão mais sentido, apelo e público. A vantagem oriunda da conquista
da liderança pode não significar muita coisa (jogar pelo empate sem dúvida
alguma seria bem melhor), todavia com o São Paulo tendo o mando de campo,
fico aliviado ao saber que até a semifinal não terei que me matar buscando um
ingresso de visitante para o jogo na casa do adversário.
O
caminho até o título passará obrigatoriamente por um confronto contra a
Penapolense nas quartas de final, provavelmente por um clássico contra o small
club na semifinal e possivelmente por uma final contra porco ou sardinha. Ao
longo das últimas décadas os campeonatos estaduais perderam boa parte do seu
charme e importância, contudo as rivalidades locais permaneceram intactas. Assim quando nos vemos envolvidos em uma disputa direta contra nossos
maiores rivais, não tem como pensar em outra coisa que não o título em cima
de algum deles.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Um pedido de desculpas
Confesso,
eu duvidava da classificação do São Paulo. Não fui tão idiota a ponto de deixar
de apoiar e torcer contra como alguns pseudo torcedores fizeram, contudo minha descrença
fez com que eu subestimasse nossa grandeza, nossa história, nossa camisa, nossa tradição e a força do nosso estádio. Ontem voltando para casa após a grandiosa vitória que nos
valeu a classificação, me senti envergonhado por ter desconfiado e de certo
modo até desrespeitado o São Paulo.
Portanto,
nada mais justo do que agora eu pedir desculpas aqueles que fizeram o São Paulo ser
este gigante do futebol mundial:
Desculpa Albella, Bauer, Bellini, Benê, Bernardo, Bezerra, Canhoteiro, Careca, Chicão, Cícero Pompeu de Toledo, Cilinho, Darío Pereyra, De Sordi, Dino Sani, Fabio Simplício, França, Friedenreich, Gerson, Getúlio, Gino Orlando, Josué, Jurandir, King, Leonardo, Leônidas da Silva, Laudo Natel, Lugano, Luizinho, Marcelo Portugal Gouvêia, Mario Tilico, Maurinho, Mauro Ramos, Mineiro, Muller, Muricy Ramalho, Nelsinho, Noronha, Oscar, Pablo Forlán, Palhinha, Paraná, Porfírio da Paz, Pedro Rocha, Peixinho, Pintado, Piolin, Pita, Poy, Raí, Remo, Renganeschi, Roberto Dias, Ronaldão, Rubens Minelli, Ruy, Sastre, Serginho Chulapa, Sídnei, Silas, Teixeirinha, Telê Santana, Terto, Toninho Cerezo, Toninho Guerreiro, Waldir Perez, Zé Sérgio, Zé Teodoro, Zetti, Zizinho.
E aqueles que continuam fazendo:
Desculpa Rogério Ceni, Paulo Miranda, Lucio, Rafael Tolói, Carleto, Wellington, Denilson, Douglas, Ganso, Osvaldo, Aloísio.
Obrigado, São Paulo, e mais uma vez, me desculpa.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Um jogo para ser esquecido
Diferente do que aconteceu no meio de semana em Santa Bárbara do Oeste, quando vivencie uma experiência das mais marcantes, o jogo de sábado no Morumbi contra o XV de Piracicaba foi algo para ser completamente esquecido. Como tratava-se de uma partida que para nós não tinha a menor importância, pois qualquer que fosse o resultado nossa situação permaneceria igual, a expectativa era mesmo bem pequena.
Soma-se a total falta de apelo da partida a combinação estádio vazio, organizadas vomitando as costumeiras merdas e o São Paulo jogando um futebol abaixo da crítica para termos motivos de sobra para nunca mais querer lembrar deste jogo horroroso. Não me arrependo de ter ido ao estádio, ainda acho que para mim este era o melhor programa possível para uma tarde de sábado fria e chuvosa.
Penso apenas que a gente merecia ter visto algo bem melhor, que os jogadores mesmo sendo em sua maioria reservas e sofrendo com a falta de entrosamento, deveriam ter feito uma partida muito mais digna. Não foram capazes, por consequência fomos castigados a presenciar uma hora e meia de maus-tratos a bola, assim voltamos para casa sem fazer questão de levar na memória qualquer recordação da partida.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
A essência do futebol em forma de estádio
Primeira fase do
Campeonato Paulista, jogo no meio de semana em horário complicado, time
recheado de jogadores reservas, cidade a uma distância considerável da capital,
ingresso e pedágio caro. Convenhamos, São Paulo e União Barbarense não era um
jogo dos mais interessantes, contudo aquela inquietação oriunda da necessidade
de acompanhar todos os jogos possíveis do tricolor, mais a vontade de conhecer
um estádio que eu nunca havia visitado antes, foi o suficiente para que eu
ignorasse todas as adversidades e pegasse a estrada rumo a Santa Bárbara do
Oeste.
Essa minha obsessão
doentia relacionada ao futebol ontem foi devidamente recompensada. Não, não
estou me referindo a vitória de virada do São Paulo pelo placar de 2x1 que nos
garantiu a liderança definitiva do campeonato estadual, mas sim a grande felicidade que foi
conhecer o estádio Antônio Lins Ribeiro Guimarães e constatar que este foi sem
dúvida alguma, um dos estádios mais bacana e agradável que já tive o prazer de
acompanhar uma partida de futebol ao longo de toda a minha vida.
Ao fazer esta
afirmação, peço por favor para que vocês esqueçam por um momento tudo aquilo que
hoje convencionou-se chamar de arena multiuso padrão Fifa. Os grandes momentos
desfrutados no estádio em Santa Bárbara não estão relacionados as supostas facilidades e modernidades desses empreendimentos como os lugares
marcados, as cadeiras de plástico, os camarotes, os setores vip e a outras
baboseiras do tipo; mas sim a simplicidade e a beleza de um estádio antigo e acanhado, a
inexistência de divisão de setores, uma arquibancada de concreto de um lado e
de ferro do outro e ao torcedor fazendo uma pressão enorme (dada a proximidade
da arquibancada com o gramado) no trio de arbitragem e nos jogadores do time
adversário junto a um alambrado enferrujado.
Muitos podem dizer que isso é romantismo e saudosismo demais de minha
parte, que o campo do Barbarense não passa de um lugar decadente e
ultrapassado, totalmente fora do padrão vigente. Pode até ser, mas a verdade é
que isso não tem a menor importância, principalmente para aqueles que ontem estavam presentes no estádio e
que continuam tratando o futebol como uma manifestação verdadeiramente popular,
e não como uma diversão ou entretenimento feito para ser consumido por pessoas que tratam o
futebol como algo descartável.
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