A viagem para Ribeirão Preto estava programada desde o dia que a tabela do Campeonato Paulista foi divulgada. Fazia tanto tempo que eu não assistia um jogo naquela cidade (a última vez tinha sido aquele desastroso empate em 1x1 contra o Santo André no segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2009), que eu não queria perder outra oportunidade de acompanhar um jogo no estádio Santa Cruz. Assim três horas e meia de estrada, meio tanque de gasolina e sete pedágios depois (impressionante a quantidade de pedágios nas estradas de São Paulo) eu chegava na Califórnia brasileira.
Era grande a vontade
que eu tinha de presenciar este São Paulo e Botafogo, e meu desejo aumentou
ainda mais quando sábado pela manhã através do noticiário esportivo eu vi a
palhaçada promovida pelos imbecis da torcida independente na porta do CT da
Barra Funda. Sim, porque as vezes estar do lado do time significa
obrigatoriamente se opor a aqueles idiotas que supostamente deveriam ser
considerados nossos pares, porém ao fazerem isto que eles erroneamente
qualificam como protesto, fica claro que (parafraseando o lema deles) vossos
sentimentos são movidos por ideais que passam longe do amor e do respeito ao São
Paulo Futebol Clube.
Felizmente tivemos a
sorte desta partida ter acontecido bem longe do Morumbi, pois do contrário certamente
grande parte da torcida seguiria o embalo dos carnavalescos, cambistas e talibãs
que se encontram na arquibancada laranja, e novamente seríamos testemunhas de
outro papelão protagonizado pelas organizadas e reverberado por seus
simpatizantes. Não que a torcida não possa protestar, contudo muitos ou não
sabem ou entendem de maneira errada o conceito da palavra protesto.
Sim, porque não é
possível que alguém considere válido ou positivo ficar todo jogo pedindo raça,
cantando que a Libertadores virou obrigação, gritando que é preciso ter muito
respeito com a camisa tricolor ou ir até o local onde os jogadores treinam e
colocar nariz de palhaço. Sério, é preciso ser muito maldoso e frustrado
(jornalistas e blogueiros que se levam à sério demais), ter interesses
políticos, econômicos e pessoais (diretores, conselheiros e cardeais) ou se beneficiar de
alguma maneira e possuir uma visão extremamente limitada (torcedores
organizados/profissionais) do que de fato acontece com o clube e com o time
para levar em consideração manifestações desta natureza.
Como ontem no estádio
em Ribeirão Preto o número de sujeitos que se encaixam nos exemplos acima citados
era insignificante, pude acompanhar o jogo sem sentir vergonha alheia ou me
irritar com o som que emanava do setor reservado à nossa torcida. Ao invés das
costumeiras baboseiras vomitadas no Morumbi, músicas apoiando e incentivando o
São Paulo eram cantadas a plenos pulmões por torcedores interioranos que ainda não se
deixaram contaminar. Espero encontrar em Santa Bárbara do Oeste no meio da semana um clima semelhante ao desfrutado no campo em Ribeirão Preto.

